30/03/2013

Era da Televisão.


Oieeeeeeeeee... Espero que estejas bem... Apesar de na infância ter sido dessas crianças que passavam mais de sete horas vendo tevê todo dia, hoje percebo o quanto isso prejudicou minha educação, minha saúde e meu comportamento. Espero que vocês também possam se afastam desse aparelho que apenas serve para impedir que vivamos nossas próprias vidas enquanto nos interessamos por tudo menos a beleza que existe em nós mesmos. Esse espetáculo onde não importa como as coisas são, mas como elas parecem, onde o que importa é o que da mais dinheiro e não o que nos torna mais felizes e satisfeitos.
Lembrando que sim, existem programas, séries, novelas, filmes e jornais de qualidade, mas infelizmente quase sempre eles são minoria, passam nos piores horários, e ainda quando temos a oportunidade de assisti-los temos que lidar com propagandas machistas, medíocres e que criam desejos por bens e serviços que não necessitamos para uma vida com qualidade!
Espero que gostem dessa tirinha.

Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim!

O Bicho.

Me lembro do meu primeiro contato com esse que seria um dos meu poemas preferidos do Manuel, me lembro que já conhecia clássicos como A Estrela e Vou-me Embora Pra Pasárgada, parece que foi ontem que estava no auge dos meus sonhos e imaginação, me lembro o quanto achei-o agressivo, feio e bruto.
 As coisas mudam tanto a cada segundo, e domingo passado me lembrei dele, estávamos falando de poesia, do Bandeira e antes que eu pudesse pensar eu me vi falando sobre a critica social desse poema, algo que sempre diferenciou o autor dos outros, isso e a dor que ele passava com suas palavras nem sempre de veludo.Voltando a esse belíssimo poema. Os pequenos versos são criticas constantes a falta de humanidade que nos temos com outros humanos, a subsistência de seres não apenas humanos através do nosso lixo e da industria do lixo, acredito que nem Manuel em seu infinito talento poderia imaginar como esse poema se tornaria um hino do século 21. Muitas pessoas acham que poesia é só sobre amor, isso é um engano poesia é arte e como arte fala sobre a vida em todas suas formas.

“Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem”.




Difícil é não interpretar esse poema de milhares de formas, somos seres sociais, temos prazer por conhecer e aprender procuramos respostas para tudo, o que não sabemos inventamos. Quem é esse bicho, que cata comida entre detritos, qual grupo social ele representa? Qual seu lugar na sociedade em que Bandeira estava inserido, e na nossa? Será essa pessoa um conhecido nosso?

Vivemos numa sociedade que sobrevive à base da produção e compra de qualquer matéria, mas não prospera! Provocamos a degradação da nossa própria saúde, provocamos a destruição dos meios que são fundamentais para nossa sobrevivência,  matamos outros animais e não vamos esquecer matamos uns aos outros. Se isso é prosperar não sei mais de nada, lógico que em todos tempos pelo que estudamos de história houveram violência, escravidão e chacinas, mas com a informação que possuímos hoje estamos destruindo em grande escala como nunca, não apenas nós mesmos como antes, mas o planeta como um todo. Uma sociedade que é baseada na produção de bens e serviços, exige uma série de coisas como matéria prima e energia, e tanto os bens como os serviços que consumimos diariamente não são feitos com objetivo de durarem, de poderem servir para outras finalidades, pelo contrário eles são feitos apenas para o lucro imediato, quem não se lembra da mãe ou avó falando que antes as coisas tinham uma maior resistência  mais o que pode durar, quando o objetivo é a troca constante de tudo, até mesmo de pessoas?

Imagine a mais de 30 anos, para Bandeira como deve ter sido a experiencia de ver um homem que procurava subsistir a partir dos detritos encontrados no lixo. Ainda mais naquela época onde o número de pessoas que viviam em lixões era menor e a realidade nas periferias e classes mais pobres era escondida do resto da sociedade. Muitos de nós se sente tão acostumado com cenas como essas nas ruas, na televisão, na vida das cidades grandes em geral, que nos tornamos insensíveis  a dor e sofrimento, a pobreza e suas características... Esquecemos que isso não deveria acontecer, esquecemos que no lugar daquele estranho, poderia ser nosso pai, sua namorada, nossos amigos, filhos, desumanizamo-nos para conseguirmos suportar tais situações, mas será que isso é a coisa certa, será que esse é o único caminho?

Como sempre Bandeira dá um significado diferente para poesia, ele a politiza. Transforma-a num veiculo de comunicação com objetivos éticos. Ele utiliza dos versos livres, para despertar em nós todos sentimentos humanos possíveis diante da degradação de nossos irmãos e irmãs, através desse simples e cru poema descritivo, ele nos sensibiliza e compartilha conosco sua surpresa pelo ruma que a história humana tomou.

Espero que vocês possam refletir sobre esse poema, a apreciar a honestidade e humanidade contida nele.
Beijos.

20/03/2013

30 Livros - Livro 3.



A Hora da Estrela.

Quase impossível umx brasileirx que goste de literatura e nunca tenha ouvido falar de Clarice Lispector. Ou mesmo qualquer brasileirx que nunca tenha lido uma frase atribuida a ela tamanha influencia que sua obra possui em nossa realidade. A verdade é que minha experiencia com a autora em questão começou ano passado quando estava fazendo cursinho, minha professora de literatura que modestia à era uma professora maravilhosa, dedicou uma aula a analise de Clarice, e conforme ela foi contando mais sobre determinada escritora maior foi minha indentificação com a mesma, todo mundo achou que tinhamos tudo haver - orgulho. Também me lembro da Rohh me contando sobre um texto em que a autora usava de baratas para falar sobre a morte, sobre temas cruciais e que eu nunca tinha lido até então, fiquei bastante impressionada na época.




O livro conta a história de Macabéa, uma nordestina que vive no Rio de Janeiro, e suas desventuras que por sinal são várias: sua simplicidade, suas relações sempre superficiais e a complexibilidade de sua personalidade, até seu trágico final. Impossivel não se apaixonar por uma protagonista tão selvagem, que mais se assemelha a um animal pela simplicidade de sentimentos e pensamentos e que muito se afasta das confusões mentais, caracteristicas marcantes da nossa era. Uma leitura muito prazeirosa e rápida.



Por enquanto é só, espero vê-los logo.

Beijos e cuidem-se!