29/04/2012

O Adeus de Angélica.


Nessas noites de solidão,
Após dias tão sorridentes,
Procuro entre as lembranças alguma que justifique nossa existência...

Um suspiro bem fundo,
O mais singelo olhar,
Qualquer pedaço partido de um último abraço...

A explicação exata,
Ou a razão para uma lágrima,
Quizá encontrar-mo-nos numa outra vida...

Sedenta por qualquer informação,
Os livros há tempos abandonei,
Me resta a lembrança do que jamais consiguirei.

Rah Sandara

28/04/2012

Miss Representation.

Olá amados(as), como estão?
O documentário que compartilho hoje retrata a mulher do nosso século e como ela é condicionada pela industria do entretenimento. A fotografia e o designer do video são pontos altos. Os assuntos tratados são atuais e uma realidade não apenas nos Estados Unidos mas todos paises Ocidentais. Para todos interessados em feminismo, direitos humanos e capitalismo é uma obra completa. Assistam enquanto ainda esta disponível!



Mais informações aqui. Também é possível baixá-lo por torrent.
Beijos e tenha um sábado maravilhoso.

25/04/2012

Despedida.




Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? – me perguntarão.
– Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? – Tudo. Que desejas? – Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)

Quero solidão.

Cecília Meireles

18/04/2012

Luta, Substantivo Feminino.



Segunda-feira, depois do almoço, estava eu na biblioteca quando me deparei com essa obra prima histórica e feminista chamada de livro. Sendo baseado em fatos reais e versões oficiais de diversas pessoas, é em forma de mini-biografias, uma vida em duas ou quatro páginas. Cheia de imagens que cumprem o que prometem humanizando personagens esquecidas da nossa história. Uma aventura emocionante e triste, sobre a ditadura militar e as cicatrizes deixadas por ela. No livro conhece-se inúmeras histórias de mulheres, mães, filhas, esposas, professoras, e principalmente seres humanos completos, engajados socialmente e interessados na mudança, na liberdade, na autonomia. O contexto histórico de uma ditadura, de violência, repressão e mentiras, a melhor história que jamais nos contaram, se você gosta de "Jogos Mortais", Rubem Fonseca, você irá adorar "Luta, Substantivo Femino",  pura dor e beleza.

Quando fui presa, minha barriga de cinco meses de gravidez já estava
bem visível. Fui levada à delegacia da Polícia Federal, onde, diante da
minha recusa em dar informações a respeito de meu marido, Paulo Fontelles,
comecei a ouvir, sob socos epontapés: 'Filho dessa raça não deve nascer'.
Depois, fui levada ao Pelotão de Investigação Criminal (PIC), onde houve
ameaças de tortura no pau de arara e choques. Dias depois, soube que Paulo
também estava lá. Sofremos a tortura dos 'refletores'. Eles nos mantinham
acordados a noite inteira com uma luz forte no rosto. Fomos levados para o
Batalhão de Polícia do Exército do Rio de Janeiro, onde, além de me colo¬
carem na cadeira do dragão, bateram em meu rosto, pescoço, pernas, e fui
submetida à 'tortura cientifica', numa sala profusamente iluminada. A pessoa
que interrogava ficava num lugar mais alto, parecido com um púlpito. Da
cadeira em que sentávamos saíam uns fios, que subiam pelas pernas e eram
amarrados nos seios. As sensações que aquilo provocava eram indescritíveis:
calor, frio, asfixia. De lá, fui levada para o Hospital do Exército e, depois,
de volta à Brasília, onde fui colocada numa cela cheia de baratas. Eu estava
muito fraca e não conseguia ficar nem em pé nem sentada. Como não tinha
colchão, deitei-me no chão. As baratas, de todos os tamanhos, começaram a
me roer. Eu só pude tirar o sutiã e tapar a boca e os ouvidos. Aí, levaram-me
ao hospital da Guarnição em Brasília, onde fiquei até o nascimento do Paulo.
Nesse dia, para apressar as coisas, o médico, irritadíssimo, induziu o parto e
fez o corte sem anestesia. Foi uma experiência muito difícil, mas fiquei firme
e não chorei. Depois disso, ficavam dizendo que eu era fria,, sem emoção, sem
sentimentos. Todos queriam ver quem era a fera' que estava ali. J J HECILDA FONTELLES VEIGA, ex-militante da Ação Popular (AP), era estudante de Ciências Sociais quando foi presa, em 6 de outubro de 1971, em Brasília (DF). Hoje, vive em Belém (PA), onde é professora do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Não existe uma história melhor que a outra, cada história tem sua mágica e sua dor, claro gostamos mais daquelas que se assemelham com nossas próprias dores, mas não espere histórias com finais felizes, o único final feliz não pertence aos seus protagonistas e sim à todos brasileiros e brasileiras, que ainda que não saibam como utilizar-lo vivem em uma sociedade mais livre e aberta.

"Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele [delegado Fleury] ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com olhar de louco.” ROSE NOGUEIRA, jornalista em São Paulo. Da ALN, foi presa em 1969, semanas depois de dar à luz.

Existe uma caracteristica clara em todas histórias que são contadas que é o abuso de poder, ele começa a partir do momento que surge o Ai-5, em seus momentos mais descarados o abuso de poder aparece através da violência, seja ela fisica ou emocional, em momentos brandos nós a percebemos com os diversos saques que aconteceram em casas de pessoas envolvidas com partidos de esquerda, com a censura tão clara de todos os tipos de arte e cultura.


Um outro fato marcante é que boa parte das militantes são mulheres de classe média, mas esse tipo de situação pode ser analisado a partir de duas razões principais, a primeira e mais importante é a de que um povo faminto não consegue pensar, apesar de parecer maldade não o é, quando mal tens o alimento, não lhe sobras tempo para pensar, não apenas biologicamente, já que um corpo mal nutrido retém menos informação, tem um raciocionio mais lento e capacidade limitada, mas também porque quando não tens o básico, gastas mais tempo procurando-o e menos tempo analisando esquemas sociais, ainda que tenhas a vontade de analisar-lo ou mesmo lutar contra ele, não o fazes porque tens medo, porque não conheces seus próprios direitos. Porque teme represarias. Eu mesma já deixei de fazer tantas coisas por represária, imagino que não seja a única.

 “Eu estava arrebentada, o torturador me tirou do pau de arara. Não me aguentava em pé, caí no chão. Nesse momento, fui estuprada.”  GILZE COSENZA, assistente social aposentada de Belo Horizonte. Da AP, foi presa em 1969. Sua filha tinha quatro meses.

 É possível baixar ou ler o livro gratuitamente pela internet, a leitura é fácil e preende a sua atenção, você pode ler do começo ao fim ou escolher uma história diferente e ler apenas ela, ou ainda ler um mini-biografia por dia. Baixe aqui!



Espero que vocês leiam o livro e compartilhem a postagem!
Beijos com sabor de tâmaras.


13/04/2012

E Agora, José?




E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummon d de Andrade
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim!

06/04/2012

Desafio dos 30 Livros Por Ano.

Olá amados(as)!
Me lembro que em 2008 vi no orkut uma comunidade em espanhol, com título: 30 livros em um ano. Na época eu brisei na comunidade, imagine ler 30 livros sobre qualquer tema em apenas um ano?! Parece até sonho, mas não é...E esse ano eu me propus a ler 30 livros ou o mais próximo disso possível, quero convidar você, vamos comigo?
Podem ser livros de poema, ficção, romance, crônicas, contos, suspense, saúde, auto-ajuda, direitos animais, receitas, beleza,  meio ambiente, o assunto que te interessar... Você pode comentar nessa postagem os livros que você já leu, citar os melhores ou passar o link do seu blog ou site atualizado com a lista, o objetivo lógico é compartilhar informação, criar conhecimento e interagir...



Aqui vai a minha lista até o momento:

Curly Girl - Lorraine Massey (Beleza natural)
Collected Poems Of Henry Thoreau - Henry Thoreau (Poemas)
Curly Like Me - Teri LaFlesh (Beleza natural)
Till - José de Alencar (Romance)
O Homem Que Confundiu Sua Mulher Com Um Chapéu - Oliver Sacks (Científico)
Naturally Textured Hair - Diane Bailey & Angelo Thrower (Beleza natural)
The Raven - Edgar Allan Poe (Poemas)
Harry Potter and the Sorcerer's Stone - J. K. Rowling (Fantasia)
The Raw Vegan Choach (Alimentação crudivora-frugivora)
Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde - Robert Louis Stevenson (Ficção cientifica)
Luta, Substantivo Feminino (Baseado em fatos reais) 
The Woman Destroyed - Simone de Beauvoir (Romance)
She Came to Stay - Simone de Beauvoir (Romance)
Profissões Para Mulheres E Outros Artigos Feministas -Virginia Woolf
The Kind Diet - Alicia Silverstone (Alimentação vegana macrobiótica)
The Complete Poetry Of Edgar Allan Poe - Edgar Alla Poe (Poemas)




03/04/2012

Versos Íntimos.


Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


Augusto dos Anjos